O segundo dia do Festival Transamazônico de Cinema LGBTQIAPN+ seguiu envolvendo o público nesta quarta-feira, 26, com a exibição de mais curtas e longas-metragens que dão luz a vivências e desejos da comunidade. De maneira presencial e gratuita, o evento celebrou o amor pelo cinema e a reivindicação de direitos humanos, no Cine Teatro Recreio, em Rio Branco.
O Festival Transamazônico é um projeto aprovado pela Lei Paulo Gustavo (Lei Complementar nº 195/2022), que representa o maior investimento direto já realizado no setor cultural do Brasil, destinando R$ 3,8 bilhões para a execução de ações e projetos culturais em todo o território nacional.
O governo do Acre prestou apoio ao evento por meio da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH), da Secretaria de Comunicação (Secom) e da Fundação Elias Mansour (FEM), contribuindo com a divulgação, mobilização do público atendido e cessão do espaço.
A curadoria dos filmes projetados na atual edição do festival foi feita por nomes respeitados no meio cinematográfico, como Kika Sena, Nena Mubarac e Clemilson Farias. Espalhados pelo Brasil, o time de curadores incluiu uma ampla variedade na seleção de curtas e longas-metragens, buscando maior destaque para produções amazônicas e obras com forte impacto social.
Kika Sena, atriz, poeta e roteirista alagoana, tem uma relação especial com o Acre, onde viveu por quatro anos e realizou conquistas, como ser a primeira mulher trans a obter o título de mestre na Universidade Federal do Acre (Ufac), em Teoria e Prática das Artes Cênicas, e participar do premiado filme Noites Alienígenas, do diretor Sérgio de Carvalho.
Seu protagonismo também brilhou no longa Paloma, exibido no primeiro dia do evento. Dirigido por Marcelo Gomes, o drama conta a história de uma mulher transexual, produtora rural, que sonha em se casar na igreja com o namorado, mas enfrenta resistência da igreja e da sociedade local. Baseado em uma história verídica ocorrida no sertão de Pernambuco, o reconhecimento do filme garantiu, para Kika, o Troféu Redentor de melhor atriz no Festival do Rio, em 2022.
Quanto ao processo de escolha de produções para o Festival Transamazônico, a artista explica: “A curadoria define o tom, e por isso construímos uma seleção de filmes pensando em como poderíamos tocar o nosso público”. Sobre as temáticas dos filmes exibidos, define, em poucas palavras: “Nascimento, presença e prosperidade”.
As palavras apontadas pela curadora se refletem diretamente nos filmes do segundo dia do festival. De início, foram apresentados os curtas Nome Sujo, A Menina Atrás do Espelho e Bixas Pretas: Entre o Amor e os Afetos.
Acompanhado dos curtas-metragens, também esteve Alma do Deserto, filme coproduzido entre Brasil e Colômbia, que se volta para documentar a jornada de Georgina Epiayu, uma mulher transgênero da etnia Wayúu, dos povos originários da América, na tentativa de emitir sua carteira de identidade. Dirigido por Mónica Taboada-Tapia, o documentário revela a luta por reconhecimento de uma mulher de 70 anos em busca de seus direitos fundamentais após anos de negligência da sociedade em que vive.
O longa chamou a atenção de Gabriele dos Reis, estudante de psicologia da Ufac, que assistiu à mostra de filmes e disse: “Frequento as sessões do Cine Teatro Recreio e fiquei feliz ao saber da realização do festival. Amo cinema e as propostas de debates que são levantadas, abrindo os nossos olhos para realidades que não conhecemos”.
Animando o público, um grande diferencial do dia foi a performance do grupo de pesquisa Epinesis, que desenvolveu uma apresentação expressiva e fluida de vogue, ou voguing, uma dança moderna estilizada, marcada por posições que remetem a modelos de revistas de moda, com movimentos corporais definidos por linhas e poses.
O estilo de dança foi popularizado na década de 1980 por intermédio de festas denominadas de ballrooms e ganhou destaque em 1990, com a cantora Madonna e o documentário Paris is Burning. Embalados pelo som da DJ Lily, a primeira encenação para o público do grupo foi um prelúdio do que seria abordado no filme seguinte.
O filme Salão de Baile: This is Ballroom encerrou o dia de cinema com chave de ouro. Com a direção de Juru e Vitã, a proposta é documentar bailes do Rio de Janeiro que se voltam a proporcionar um espaço de expressão de arte, identidade e gênero, principalmente para pessoas negras e LGBTQIAPN+.
De maneira didática e humanizada, o documentário é uma excelente porta de entrada para todo o universo do vogue, introduzindo seus princípios básicos, ao mesmo tempo em que conta a tocante história de pessoas dissidentes que encontraram seu propósito de vida nessa esfera artística.
Nesta quinta-feira, 27, último dia do Festival Transamazônico, a programação no Cine Teatro Recreio se inicia às 16 horas, com a apresentação de quatro curtas e dois longas, um deles Maués: a Garça, produção acreana sobre uma figura icônica da cena LGBTQIAPN+ do Acre. E, dando o primeiro grito de Carnaval de 2025, o evento será finalizado na Casa do Rio, às 21h30, com o Cine Fest Queer, celebrando a diversidade com música ao vivo, DJ set e performances de dança.
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